A greve no Banco do Brasil de Belo Horizonte acaba em 26 de setembro em uma assembléia recheada de gerentes, comissionados e até PE (que não estavam trabalhando) que votaram contra a greve, ou seja, votaram contra o movimento de luta legítimo, que durante anos no Brasil, foi a única forma de se conseguir direitos trabalhistas concretos e que realmente trazem benefícios. As pessoas convocadas para participar de assembléias para votar contra a luta, estão a favor do assédio moral, estão a favor das metas, estão a favor do adoecimento dos bancários, e são ou serão os maiores assediadores dentro do ambiente de trabalho. A que ponto se apresenta o movimento sindical hoje no país. Parabéns aos bancários do Banco do Brasil de vários estados que mantiveram a greve mesmo com a orientação do Comando Geral da Contraf/Cut de aceitar essa proposta rebaixada.
Os mais
conscientizados um pouco sabem que só quando nos unimos é que
conseguimos arrancar algum benefício trabalhista diante de uma enorme
massa de capitalistas que fazem do que há de mais sórdido para que seus
lucros não diminuam um centavo sequer. Nos últimos 16 anos os lucros dos
cinco maiores bancos do país (BB, CEF, Itaú-Unibanco, Santander e
Bradesco) foi de 1.575%
acumulado, isso significa uma média de 112% ao ano !! A cada ano o
lucro de pouquíssimas pessoas (as famílias donas desses bancos: Moreira
Salles, Setúbal, Egydio de Souza, Aranha, Aguiar e Safra) mais do que
dobra de tamanho.
E o que o banqueiro quer enfiar goela abaixo do
bancário é que ele é vendedor, que ele tem que vender “produtos”.
Descaracterizando o serviço real do bancário de prestador de serviços
financeiros. Seguro não é tangível por isso não pode ser produto.
Prestamos serviços. A cada serviço (seguro, financiamento etc) que
“vendemos” gera um contato futuro com os clientes e normalmente
constante, sem aumento de funcionário que acompanhe todos esses serviços
posteriores que são gerados. Se um dia o bancário for definido por lei
que ele é um vendedor teremos todos os direitos de bancários perdidos e
iremos nos enquadrar como comerciários (jornada de trabalho flexível,
comissão por venda sem incorporação ao
salário etc). Os bancários sofrem ataques a anos. Ou se esqueceram dos
oito anos do governo FHC de reajuste zero!! Que os bancários já ganharam
cerca de dez salários mínimos e hoje a média é de 3,36.
Quem ainda não
acredita que o bancário adoece com o trabalho é porque ainda não
trabalhou tempo suficiente tendo que cumprir metas, não somente
abusivas, mas absurdas, e ainda mais com um gerente assediador do lado.
Esse cara faz o papel que o capataz nas antigas fazendas de escravos
fazia, faz todo o trabalho sujo para o patrão dono da fazenda e ganha
mais por isso. O que me indigna mesmo não é só o trabalho do assediador,
é a total falta de consciência coletiva. Por que esse pobre coitado
ainda não sacou que o trabalho dele só beneficia o banqueiro. Ele
atrapalha completamente a vida do funcionário, a vida da população,
lesada por “comprar produtos” que muitas vezes não correspondem ao seu
perfil (fruto da venda em função de
metas). Esse mesmo pobre coitado comparece a uma assembléia, onde o
Comando Nacional da Cut “orienta” a aceitar a proposta da Fenaban e
destrói não só a luta em si, mas toda a esperança de lutas futuras que
bancários em greve tentaram precariamente conquistar. Quem estava na assembléia ou saiu perplexo ou já conhecia o "script".
O Acordo Coletivo 2012/2013 com cláusulas específicas do BB reafirma que o
pagamento das horas é "a critério do funcionário" e "observada a
conveniência do serviço". Diga NÃO, ao pagamento das horas de greve,
quem estava na luta por todos, não pode ser punido. Quem defende o pagamento das horas de greve só quer enfraquecer o movimento. A greve é uma luta
legítima e amparada pela Constituição !
Veja parágrafo 8°, do artigo 5° do Acordo divulgado pelo site da Contraf/Cut do DF: http://www.bancariosdf.com.br/site/images/stories/pdf/minutabb2012pdf.pdf
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Dia NÃO ao pagamento da horas de greve
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